Alguma coisa rasga o meu coração;
Eu vejo mil faces;
Três mil fagulhas invadem meu peito;
Minha clara pele reluz;
Enquanto vago pelos corredores desse
abismo.
Num instante alço vôo;
Na falsa névoa que teima em lacrimejar
meus olhos;
Não vejo pessoas;
Vejo apenas vultos que transcendem à
minha frente;
Ouço sons saindo de minha alma;
Que antes se julgava muda.
No êxtase de morrer a onze graus;
E sentir o vento arranhar meu peito;
Vejo meu sangue cair;
E coagular lentamente sobre copos – de
– leite, tulipas e acácias;
Meu jardim tornou – se vermelho;
Não de amor, mas de pecado;
Uma lágrima segue a outra;
E entre um mar vermelho forma – se uma
lagoa de prata;
Que assim como a lua vem conciliar a
sua cor.
Em uma cascata de cores;
Corre um rio de sorrisos;
Sorrisos de muitos;
Que um dia tiveram a esperança de
morrerem felizes.
Há muitos estranhos pregando cartazes;
Anuncia – se um grande espetáculo;
Entre gritos e aplausos;
Todos histéricos em preto e branco;
Observam os besouros.
Alguma coisa rasga o meu coração;
Eu vejo mil faces;
Três mil fagulhas invadem meu peito;
Minha clara pele reluz;
Enquanto vago pelos corredores desse
abismo.
Poderia ter vivido em um tempo tão
bom;
Contudo devo me contentar com o tempo
presente;
Que veio de presente em minha vida.
Queria ler mentes;
Especialmente a das mulheres;
Queria mudar o futuro;
Queria acelerar com meu puro sangue;
Até cruzarmos a linha do que faz
sentido;
E explodirmos na imensidão;
Para sermos eternos;
Nos tornar uma constelação.
Sou tão jovem;
Pareço uma criança;
Nada me pega;
Tenho sete vidas;
Mesmo morto estarei vivo;
Não em matéria, porém em alma;
E na memória de meus amigos.
Somente essa noite;
Queria viver como um lobisomem;
Me tornar vampiro;
Dizimar uma tribo;
Beber o sangue derramado;
Amar, ser amado.
Amar, amar, amar;
Amar com uma garota;
Como se o momento;
Fosse o primeiro e último de nossas
castas vidas;
Como se o momento;
Se tornasse eterno;
Como se o momento;
Calasse em nós a mistura de olores;
Como se o momento;
Reunisse todas as passagens de nossas
vidas;
Boas e más;
Como se tudo fosse bom;
Natural;
Como as cores se misturassem sem
querer;
Como se o arco – íris coroasse a minha
cabeça;
Como se todos pudessem explodir em uma
imensa paz.
Eu não conseguiria amar de novo;
É muito perigoso;
Já se é machucado sem querer;
Imagine se alguém quiser machucar por
querer.
Eu quero amar de novo;
A cor do amor é vermelha;
A do pecado também;
Que corre por minhas veias como um
violino desenfreado;
E que apenas é acalmado;
Quando eu misturo as cores.
Paulo Grebim 2000