domingo, 7 de abril de 2013

CARTA A UM AMIGO

A vida é tão estranha;
Tão árduo o subir;
Tão mero o cair;
Mas ela nos há de perpetuar.

Mesmo que não seja bela;
Mesmo tendo que comer em tigelas;
Mesmo que para fugir;
Tenhamos que deixar as diretrizes;
E forçar as sentinelas.

Só não podemos deixar cair o amor;
Aquele antigo, querido;
Tú sabes o teu;
Eu sei o meu.

Quando passo pelo passado;
Vejo nosso itinerário;
As aventuras, não foram muitas;
Fomos felizes;
Mas não chegamos a ser bambas;
Olho no fundo da boceta;
Não há mais fumo para a palha acender;
Será que tudo na vida tem necessidade de padecer ?

Tenho saudade do ido;
Das outras coisas que poderíamos ter vivido;
O consolo;
É que ainda temos tempo à frente;
Todavia;
Estamos envelhecendo;
E a cada dia;
Células vão endurecendo.

Mas temos estilo;
Podemos tocar uma música;
Através de um Stradivari ou um Strauss;
Anonimamente;
A lá vontaire;
Guardaremos os sucessos;
Para a avant – première.

Paulo Grebim 1999

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