Um castelinho um palacete;
Grandes casas;
Protegidas por um baluarte;
Uma arquitetura imoral;
Desnudando todas as fendas;
De janelões a varandas.
Mas para que tanta beleza ?
Tanta graciosidade e homogeneidade ?
Se não há cor para dar graça.
Se não há matéria para manter
homogêneo ?
Viver é cor é matéria;
Mas acaba o verão;
E a cor transforma – se em fantasmas
tétricos;
A matéria funde – se no espaço.
As moças de pernas nuas resguardam –
se de meus olhos;
Vão para longe;
Para outros.
Chega o outono;
E as folhas engolem as casas.
Passando pelas ruas vazias;
Vejo – as incorroíveis.
Elas perguntam – me:
- Você nos
quer ?
Eu as respondo:
- Lamento. Por vocês, nada sinto. Eis o que procuro;
Matéria e cor.
Paulo Grebim 1999
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