domingo, 28 de abril de 2013

O BOSQUE DOS GALHOS SECOS


Cinza, marrom escuro e preto;
Era assim a cor do bosque dos galhos secos;
Sozinho andava disposto e medroso;
O frio era invariável;
E a noite mostrava suas mãos pálidas.

Das árvores, cascas caíam;
E delas brotavam infortúnios olhos;
A me observar, a me cercar;
Ao mesmo tempo em que temia estava entusiasmado;
Percorrendo guetos arborizados e secos.

A noite quente pajeava a Lua e as estrela;
De cortinas serviam as nuvens mais negras;
Olhava para o céu indagando alguma explicação;
Meus olhos atentos elucidavam o tempo.

Por um todo caminhei;
E no mesmo lugar permaneci;
Situado em um brando horror;
Com um sentido inato, imerso em terror.

Algo zumbia no ouvido;
Talvez gritos, talvez grilos;
Quem sabe, gemidos;
À mulher amada, suspiros.

Um morcego repousava em um galho seco;
Tentei roubar seu ego;
Ele, despertando, por mim irou;
Desfazia – se meu novelo de orgulho;
Dizia o que eu não sabia;
Mostrando – me o mais terrível mergulho.

Como um falcão, pôs – se sobre meu ombro;
Contou histórias fantásticas;
Dos séculos que habitou livre, vagando;
Observando as valquírias fanáticas;
E a peste que desolava todas as pessoas.

Zunidos e rangidos torneavam o caminho;
O morcego, agora cheirando a lavanda;
Em mim viu uma alma roubada;
Distante da vida, de tudo e de todos;
Com pensamentos próprios e pouco tolos;
O morcego desistiu de minha alma;
Pois percebeu que ali residia algo horrendo.

Longa era a noite no bosque dos galhos secos;
A noite ali nunca findará;
Noite sempre e sempre noite será;
A espera de mais um a lhe encontrar.


Paulo Grebim 2003

2 comentários:

JAJAH disse...

Lindooooooooooo

Caroline Grechi disse...

Orra... Tais bom pra "carvalho" hein Paulinho! :)

Bjs!