Cinza, marrom escuro e preto;
Era assim a cor do bosque dos
galhos secos;
Sozinho andava disposto e
medroso;
O frio era invariável;
E a noite mostrava suas mãos
pálidas.
Das árvores, cascas caíam;
E delas brotavam infortúnios olhos;
A me observar, a me cercar;
Ao mesmo tempo em que temia
estava entusiasmado;
Percorrendo guetos arborizados
e secos.
A noite quente pajeava a Lua e
as estrela;
De cortinas serviam as nuvens
mais negras;
Olhava para o céu indagando
alguma explicação;
Meus olhos atentos elucidavam
o tempo.
Por um todo caminhei;
E no mesmo lugar permaneci;
Situado em um brando horror;
Com um sentido inato, imerso
em terror.
Algo zumbia no ouvido;
Talvez gritos, talvez grilos;
Quem sabe, gemidos;
À mulher amada, suspiros.
Um morcego repousava em um
galho seco;
Tentei roubar seu ego;
Ele, despertando, por mim
irou;
Desfazia – se meu novelo de
orgulho;
Dizia o que eu não sabia;
Mostrando – me o mais terrível
mergulho.
Como um falcão, pôs – se sobre
meu ombro;
Contou histórias fantásticas;
Dos séculos que habitou livre,
vagando;
Observando as valquírias
fanáticas;
E a peste que desolava todas
as pessoas.
Zunidos e rangidos torneavam o
caminho;
O morcego, agora cheirando a
lavanda;
Em mim viu uma alma roubada;
Distante da vida, de tudo e de
todos;
Com pensamentos próprios e
pouco tolos;
O morcego desistiu de minha
alma;
Pois percebeu que ali residia
algo horrendo.
Longa era a noite no bosque
dos galhos secos;
A noite ali nunca findará;
Noite sempre e sempre noite
será;
A espera de mais um a lhe
encontrar.
Paulo Grebim 2003