sexta-feira, 10 de maio de 2013

CASAS



Um castelinho um palacete;
Grandes casas;
Protegidas por um baluarte;
Uma arquitetura imoral;
Desnudando todas as fendas;
De janelões a varandas.

Mas para que tanta beleza ?
Tanta graciosidade e homogeneidade ?
Se não há cor para dar graça.
Se não há matéria para manter homogêneo ?

Viver é cor é matéria;
Mas acaba o verão;
E a cor transforma – se em fantasmas tétricos;
A matéria funde – se no espaço.

As moças de pernas nuas resguardam – se de meus olhos;
Vão para longe;
Para outros.

Chega o outono;
E as folhas engolem as casas.
Passando pelas ruas vazias;
Vejo – as incorroíveis.
Elas perguntam – me:
- Você nos quer ?
Eu as respondo:
- Lamento. Por vocês, nada sinto. Eis o que procuro;
Matéria e cor.

Paulo Grebim 1999

segunda-feira, 6 de maio de 2013

SONETO


E a cada dia que passa;
Entre horas esparsas;
Que o tempo fadiga;
Aumenta a tristeza;

Se tenho olhos;
Não vejo
Se tenho ouvidos;
Não escuto;

Acredito em um mundo de extremas belezas;
E nos devaneios da lucidez;
Que invadem as minhas incertezas;

Se choro;
Já não importa
Afinal de contas, o que são lágrimas ?

PAULO GREBIM 2010

sexta-feira, 3 de maio de 2013

ENTOADA


Deixa a vida fluir;
Deixa a vida cantar;
Deixa o meu Sol brilhar;
Para todos.

Um sorriso no alegrar;
Nosso corpo um flutuar;
Num incessante amar;
Para todos.

Gotas a cambalear;
O mar a bravejar;
O garoto a assoviar;
Para todos.

O universo não é para mim;
Não é para você;
É para todos.

Quem é o bruxo, quem é o mandarim;
Que se desprende de mim;
E voa por esses confins;
De tons seletos;
Para todos.

Para todos os amigos;
Irmãos e irmãs;
Pais e mães;
Para este filho não compreendido;
Que vai e volta por seus sonhos;
Iludido, despreendido, persuadido, pérfido.

Paulo Grebim 1998