terça-feira, 9 de setembro de 2008

UM TODO

UM TODO


Todo ser é suscetível;
Todo corpo é prostituível;
Todo o saber é cabível;
Todo amar é sensível;
Todo cadáver é incorruptível.

Quiçá, pudera, ser eu uma ave !
Ave, não árvrore;
Não quero ter raiz;
Quero me expor ao Sol;
Me fundir nos anis.

Não quero ser objeto de modificação;
Não quero tomar corpo do pecado;
A inteligência é aceita;
O amor uma coisa quase perfeita;
Quem já não conta mais histórias;
Está livre;
Passou de impuro a puro;
Não é mais corrupto;
É espírito;
É fruto maduro.

PAULO GREBIM

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

MOÇA DO LÍBANO

MOÇA DO LÍBANO


Vindo assim não mais que de repente;
O vento fez – se gente;
O álcool árido;
Invadiu a boca umedecida do crente.

Folhas formosas;
Compunham um balé;
Enquanto que o cavaleiro da armadura prateada;
Passeava pelas ruas;
Saudando as carruagens que vagavam pelas calçadas.

A fragrância do vinho, exauria;
Em uma vassoura;
Aproximava – se uma tempestade mítica.

A moça do Líbano;
Levitando em um tapete mágico;
Trouxe – me um flor – de – lótus;
Florzinha toda graciosa;
Nascida no vaso das ciências ocultas.

Quando a tempestade vingou;
A moça do Líbano cobriu – me com seu véu;
Em seu seio, descobri a moral quente;
Constituída com pouco do inferno e um tanto do céu.

PAULO GREBIM

terça-feira, 12 de agosto de 2008

EU TE TOCAREI

EU TE TOCAREI


Depois que você apagar a luz;
E ir para debaixo de suas cobertas;
Tão logo ao fechar os olhos;
Eu te tocarei;
Ah sim, eu te tocarei.

Em busca de outro beijo;
Só que você não poderá me sentir;
Porque agora sou somente uma doce brisa;
Como um sopro que te arrepia no verão;
Nunca mais poderão me pegar.

Os dias são longos;
E os quadros que agora pinto são mais lindos;
Espero sempre o anoitecer;
E quando você fechar os olhos;
Eu te tocarei;
Ah sim, eu te tocarei.

Um dia após o outro;
E durante toda a eternidade;
Eu te tocarei a face linda;
E beijarei tua alva fronte exposta;
Bem como os teus lábios vermelhos;
Que suplicam por um falso nome.

Cuidarei de você a noite inteira;
Como já disse, meus dias são longos;
E não me importo em ficar contigo;
Mas, quando estiver amanhecendo;
Terei que partir.

Sei que ao acordar, sem saber, irá chorar;
Ao lembrar vagamente, da minha boca a te beijar;
Irá rezar para a noite voltar depressa;
E, quando tão logo fechar os olhos;
Voltarei a te tocar.

PAULO GREBIM

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"Plonger au fond du gouffre, Enfer ou Ciel, qu’importe ? / Au fond de l’Inconnu pour trover du nouveau !"

BAUDELAIRE

CANÇÃO DO VIAJANTE

CANÇÃO DO VIAJANTE

Por sob as cumieiras;
Tudo em descanso jaz;
Nestas regiões cimeiras;
Apenas ouvirás;
Um bafo;
Um sopro leve;
Dorme a avezinha em paz;
Espera um pouco;
Em breve também descansarás.

GOETHE

terça-feira, 5 de agosto de 2008

OS BALANÇOS DO PARQUE

OS BALANÇOS DO PARQUE


Já não inclinam – se mais as correntes coloridas;
Agora paradas, sujas e enferrujadas.
A emoção da pueril idade;
Encerrada pelos portões que livres foram um dia.

Já não revela – se mais a emoção;
Da tenra carne que ali habitava;
Não há mais gritos nem há mais distorção;
Que prontamente do lugar emanava.

Já não inclinam – se mais os balanços do parque;
Agora sós e emudecidos;
Uma tristeza que eles corrói e em mim arde.

Mas nem sempre foi assim;
Pois livres foram um dia;
Os balanços que tanto me deram alegria.

PAULO GREBIM

domingo, 3 de agosto de 2008

ANSEIOS, AFAGOS, DESEJOS

ANSEIOS, AFAGOS, DESEJOS


Se você me guardasse em teus lábios;
Ah ! Que bom seria;
Sua mão leve percorreria meu rosto fino;
Em um destes dias que se diz inverno.

Ah ! Que bom seria se me perdesse em tua boca quente;
Uma menina;
Anseios, afagos, desejos;
Minha menina.

Ah ! Que bom seria se contigo fosse um só;
Vamos fazer o nosso carnaval;
Teus lábios vultuosos de carmesim;
Você viva em mim.

Tanto tempo sem te ver;
Quanto tempo desfrutando de teu amor;
Tanto tempo ainda assim sinto;
Quando a esclerose do amor invade o meu recinto.

Eu gosto de ouvir – te dizer:
- Cuide – me !
Minha razão é proteger – te.

Imaculada !
Não há simples idílio para ti;
Minhas ideologias se desfazem;
Assim com as sombras que me perseguem;
Mas porque que quando olho para as sombras elas fogem ?
Temem ?
Se temem, não afrontem – me, insolúveis.

Quero ser teu abraço;
Me esquecer em teus cabelos;
Morrer ao som dos teus beijos;
Anseios, afagos, desejos.

PAULO GREBIM