sábado, 30 de março de 2013

EMILY

A basta chuva;
Crepita sobre o túmulo de Emily;
Que posta – se como única;
Mas por pouco tempo.

O vento;
Que empurrava folhas e galhos;
Cessa, cansa.

Aliena – se o tormento.

Emily me chamou;
Eu não a compreendi;
Esperem um instante;
Ouvi;
O ataúde lascou.

Distante;
Sofregamente ponho – me a esperá – la;
Ecoa a voz do soprano;
Minha doce e bela Emily renasce;
Ainda não consigo vê – la;
Anseio que esteja bela em seu infortúnio;
Como da última vez de nossos toques;
Venha Emily, venha para mim.

Óh não creio no que vejo;
O que o tempo fez com você ?
Onde estão suas longas madeixas negras ?
Seus olhos azuis deram lugar a covas negras .

Emily seu olor de orvalho;
Sua pele de seda. Onde estão ?

Deveria ser eu !
Agora só me resta ajoelhar aos seus pés;
E chorar pelo tempo perdido;
Tivemos nosso romance;
Mas foi interrompido abruptamente;
O tempo não nos deu mais motivos para ficarmos juntos;
Não posso renegá – la;
Pois mesmo em farrapos;
Ainda amo – te.

Quero que a adaga me funeste;
Quero esmaecer contigo ao sono eterno;
Quero ser luz, um corpo celeste;
Tudo o que não foi efetuado;
Agora tem por vez de ser findado.

Adeus meu cariótipo desconhecido;
Talvez um dia voltemos a nos encontrar;
Poderei estar com outro rosto;
Ou morando em outro lar.

Paulo Grebim